A Ocupart apresenta no SIAC4 (4º Simpósio Internacional de Arte Contemporânea), na Guarda, o artista Nuno Lacerda, com a obra Samarra. Nuno Lacerda foi um dos finalistas do Prémio SONAE Media Art 2017, Samarra foi a obra exibida no MNAC-Museu do Chiado nessa ocasião.
Samarra é uma instalação audiovisual interativa. Consiste numa black box com projeção em vídeo de uma paisagem. Através de um dispositivo apontador (rato), sobre um plinto tenuemente iluminado, o observador pode desencadear e sobrepor várias sequências de vídeo escondidas nas diferentes áreas da superfície de projeção.
Esta paisagem, e as narrativas que a transformam, são construídas a partir de fragmentos de vídeos captados ao longo do ano de 2017 nos arredores de uma praia com o mesmo nome. Samarra é também o nome da cidade para onde, segundo uma lenda árabe perpetuada por John O'Hara, um escravo tenta fugir da morte. Duplamente artificial, esta ilha simulada a partir de uma pedreira abandonada no limiar de uma falésia, representa, como na lenda árabe, um lugar sem tempo onde nada nos pode encontrar, nem mesmo as memórias que residem no interior do oceano circundante.
Nuno Lacerda nasceu em 1983 em Lisboa, onde reside e trabalha. Concluiu em 2008 a licenciatura em Artes Plásticas - Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Tem formação em banda desenhada (CITEN - Centro de Arte Moderna José Azeredo de Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian) e representação teatral (Casa de Teatro de Sintra). Desenvolve o seu trabalho individual em torno do vídeo, da pintura e da ilustração e é membro ativo de vários projetos colectivos de teatro e música. Desenvolve atividades de educação e sensibilização artística para o público infanto-juvenil desde 2005, e para público com necessidades especiais desde 2015, em colaboração com várias instituições culturais e particulares. Site do artista
JANIS DELLARTE Nós Enredamentos, Entretecidos Despojos
No próximo dia 6 de junho, das 18h às 20h, inaugura a exposição Nós Enredamentos, Entretecidos Despojos de Janis Dellarte, no Jardim Botânico da Universidade de Lisboa no Museu Nacional de História Natural e da Ciência.
Esta exposição, composta por um conjunto de instalações organicamente enredadas com o ecossistema do Jardim, materializa a resposta da artista, a navegar entre a (i)moralidade da poluição e a sua beleza plástica-simbólica, e o aparente paradoxo de integrar essa poluição na sua prática artística. Interpelada pelas grandes ilhas de lixo nos oceanos, Janis resgata os despejos marítimos que dão à costa no naufrágio permanente do consumo contemporâneo e da atividade piscatória - material físico e simbólico, usado entre as suas linhas, enredamentos, despojos de entretecidos e nós, para criar os seus seres híbridos, testemunho de conhecimentos ancestrais, de novas e velhas memórias, na esperança de poder contribuir para uma consciência individual, cada vez mais ativa, participativa e solidária.
A inauguração contará com uma performance, um neo-ritual que nos transportará para um futuro onde o plástico já não existe. Janis convida Rezm Orah para co-criar esta performance, onde as suas peças serão apresentadas ao público por Bruno Brandolino, DP Miranda, EZA, Lucas Lagomarsino e Gabriela Cordovez, entre outros.
Esta exposição, produzida pela Ocupart em colaboração com o Museu Nacional de História Natural e da Ciência, poderá ser visitada até 31 de agosto, todos os dias, das 9 às 20 horas.
Janis Dellarte, Lisboa 1989, vive e trabalha em Lisboa. Cria híbridos escultóricos, peças têxteis performativas, objectos ritualisticos e instalações iterativas, através do croché, tricô, tradições têxteis em vias de extinção, o quase perdido feito-á-mão. Começou por estudar Belas Artes e Madrid, mais tarde licenciou-se em Textiles and Surface Design na Buckinghamshire New University, concluiu um curso de Joalharia Experimental na Central Saint Martins e um mestrado em Knitted Textiles na Royal College of Art.
Colabora com designers, músicos, bailarinos e performers, e faz parte de iniciativas artivistas como a Linha Vermelha e o Zero Waste Lab.
Já expôs em Londres, Nova Iorque, Jalisco (México), Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto e Lisboa. Entre outras, destacam-se para as exposições no Palácio das Artes do Porto, no Museu da Eletricidade e no MUDE em Lisboa, na abertura da Z42 no Rio de Janeiro, The Java Projects en Nova Iorque, na MilMa e na Geddes Gallery em Londres.
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