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Tempo de leitura: 6 minutos

Vocês lembram da teoria da cauda longa? Construída por Chris Anderson, ela basicamente diz que a evolução da internet promove uma diversidade muito maior no que consumimos - seja conteúdo ou produto.

Isso porque se antes o cinema era feito somente de “blockbusters” e a música de “top hits” na rádio, os serviços e marketplaces digitais permitem que cada um ouça ou assista o que bem entender, quando quiser. 

É a lógica do nicho versus mainstream. E se antes estávamos presos ao mainstream, hoje temos infinitas possibilidades de explorar todo tipo de nicho. De música pop sul coreana a programas no Youtube de nonnas italianas fazendo massa (Pasta Grannies, eu amo).

Exceto quando o assunto é viagem.

Seguindo essa lógica, o acesso facilitado a passagens, hotéis e roteiros deveria nos espalhar pelos mais diversos lugares do mundo. 

Mas a impressão é que as pessoas superlotam os mesmos pontos turísticos pelo mundo. O fenômeno Perrengue Chique não me deixa mentir - uma conta no Instagram que foi de zero a um milhão de seguidores em menos de um ano, só compartilhando lugares superlotados e experiências frustradas em viagens.


E por falar em Instagram..

Apontada como o grande guia de viagem dos últimos anos, a plataforma criou um novo critério quando o assunto é escolher um destino - será que ele é “instagramável”?

Só que “Instagramável” pouco tem a ver com ser bonito ou interessante, e sim com a sua capacidade de ser editado e cortado até parecer perfeito. 

Assim se forma o ciclo:

1. A gente vê um destino “perfeito” no Instagram. 
2. Investe as economias em uma viagem pra lá, menos para conhecer e mais para tirar uma foto parecida com aquela.
3. Chega lá e percebe que o trajeto ou o próprio lugar são difíceis de acessar, seja por causa de grupos de turistas com pau de selfie, aglomeração de gente ou tempo feio (ou todas as anteriores).
4. Mesmo assim, a gente tira uma foto, corta, edita e filtra, posta com uma legenda sobre como a vida é incrível.
5. Alguém vê o destino “perfeito”, compra a passagem, e assim sucessivamente.

Expectativa x Realidade
O que o Instagram não mostra é a fila de gente em busca de uma foto nesse ponto da Trolltunga, na Noruega. Aliás, cada vez mais gente. Entre 2009 e 2014, o lugar foi de 500 pra 40 mil visitantes. Fotos e informação do National Geographic.

Muitas viagens tem sido repletas de frustração não porque viajar é ruim ou porque os destinos mais populares são desinteressantes - mas porque as expectativas são completamente irreais.

A gente chega nos lugares esperando vê-los como em um post de Instagram, e não vivenciá-los como eles são de fato. 

Aliás, a gente chega nos mesmos lugares, porque viajar tem se tornado menos sobre nossos desejos e personalidades, e mais sobre mostrar para o mundo que estamos ali.

E isso não é saudável.

Não é saudável para essas cidades que, uma vez paradisíacas, têm sido degradadas ambiental e socialmente pela superlotação.

Não é saudável para nós como indivíduos, porque muita gente tem se colocado em risco para tirar fotos “perfeitas" - risco de endividamento e alguns até risco de vida, se esticando em parapeitos para tentar conseguir um ângulo sem ninguém atrás.

E não é saudável para nós como coletivo, a medida em que nos tornamos homogêneos, buscando a mesma estética, os mesmos padrões, os mesmos destinos. 

Sendo que, ao melhor estilo “cauda longa”, o mundo é um lugar cada vez mais acessível de ser explorado, e o resultado disso deveria ser uma diversidade de destinos, de lugares, de imagens. 

 

Se uma pessoa não é igual a outra, por que tantas viagens buscam ser?

Perrengue chique é engraçado e ter muitos likes é legal, mas viajar é mais que isso. 

É sair completamente da nossa bolha e experimentar outras realidades. 

É auto conhecimento, porque cada lugar é vivenciado não como ele é, mas como nós somos.

Viajar é um costume de séculos, que a tecnologia e as marcas deveriam potencializar - e não padronizar.

E enquanto é fácil responsabilizar o Instagram, não é a plataforma que vai resgatar o melhor das viagens. É você.

Se perdendo pelas ruas de um lugar desconhecido a pé. Visitando uma cidade vizinha à mais turística, mesmo que ninguém que você conhece tenha ido. Tirando fotos para compartilhar experiências - sem filtro, sem cortes e sem falsas expectativas. 

Nas suas próximas férias, vá além.


Essa edição foi feita em parceria com a Além - uma marca brasileira que quer ajudar as pessoas a viajarem melhor e serem cada vez menos turistas e mais viajantes.

Atualmente, a marca faz isso através de uma linha completa de malas companheiras para qualquer viagem, com funcionalidades para fazer da experiência a melhor possível. De power bank pra não ficar sem bateria a bolsa extra pra não ficar sem espaço, e muito mais.

Conheça mais sobre a Além clicando AQUI.

 

E essa sou eu, num desses lugares tão incríveis quanto incrivelmente disputados, depois de 2h numa van para chegar lá, tirar fotos e ir embora.

Também quero rever meu jeito de viajar em 2020.

- Beatriz
~ to tão feliz com essa parceria ~

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Não só de malas uma marca incrível de viagem é feita
Para nos ajudar a viajar, a Além tem também o Guia Além - com dicas de destinos (dos mais mainstream a alguns que eu nunca ouvi falar), dicas para viajar sozinho, dicas para organizar uma viagem, aplicativos e até livros. A mão de comprar passagem chega a TREMER!

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Análise da FastCompany sobre a recente parceria da Beyoncé com a Adidas, e o que ela representa para ações de marcas com celebridades e influenciadores.
para respeitar o tamanho do e-mail, vamos pular essa sessão hoje. mas na busca pela próxima leitura, você pode conferir todos os livros que já recomendamos aqui. semana que vem tem mais!
se você tem um projeto de conteúdo e quer vê-lo por aqui, é só mandar um e-mail :)
O tema de hoje (viagem) me fez pensar em dois projetos de conteúdo bem legais, feitos por assinantes da Bits:

- o Fórmula de Viagem, da Bruna, que tem várias dicas de como planejar uma viagem;
- e o blog Viajapinha, da Thaís, que fala de diferentes destinos mas também de Floripa e arredores :)
The Morning Show é o grande lançamento da Apple TV+, e não deixa a desejar em nada.

Uma mega produção com atuações brilhantes (Jennifer Aniston tá maravilhosa) e um plot que te tira completamente do eixo. Quase no final dessa primeira temporada (faltam 2 episódios), ainda não dá para afirmar quem são os mocinhos e quem são os vilões. 

Cada personagem é extremamente complexo, e mais ainda é a temática central - um apresentador de TV acusado de assédio por mulheres da sua equipe, que nega veementemente e acusa de volta o movimento #MeToo e a sua velocidade em condená-lo sem provas.

É daquelas viciantes.

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