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Uma das minhas etapas favoritas na construção de uma marca é pensar a sua proposta de valor. A proposta de valor é basicamente a diferença que um produto faz na vida daquela pessoa. Qual é o seu papel, qual valor ele agrega ou qual problema ele resolve.

Em termos de proposta de valor, marcas de tecnologia são ótimas “resolvedoras de dor”. Dores que existiam antes delas (como ter que sair de casa para ir ao mercado, ou ter que ficar preso a um telefone fixo para falar com alguém) e também dores que elas mesmas criaram - e assim surgem novos produtos e startups num loop infinito.
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Semana passada teve CES, a maior feira de tecnologia do mundo. Sempre em janeiro, ela dá o tom do que as maiores empresas estão planejando para um futuro próximo, e também distante.

O pré evento é cheio de palpites, enquanto o pós vem ilustrado por fotos e vídeos demonstrando produtos assustadoramente futuristas.
Mas o que teve de mais assustador (e futurista) não foi um produto, e sim uma ativação de marca.

A HBO convidou um grupo de jornalistas para o evento de lançamento da terceira temporada de Westworld. O convite incluía um questionário sobre restrições alimentares, perfis nas redes sociais e perguntas comportamentais como o seu nível de ansiedade em relação ao futuro.

Ao chegar no evento, os convidados eram chamados pelo nome e perguntados sobre detalhes das suas vidas como animais de estimação, viagens, filhos ou projetos.

Toda interação era conduzida por alguém que deixava claro saber bastante sobre eles - e assim eles iam sendo apresentados uns aos outros, conduzidos aos seus lugares e servidos uma refeição ideal sem nem precisar pedir.

Num dos relatos mais bizarros, uma pessoa recebia um drink que era uma invenção própria, que ele tinha twitado uma vez em novembro do ano passado.

A noite era um oferecimento da Incite - empresa fictícia que será central na terceira temporada de Westworld - cuja missão é “utilizar novas e poderosas tecnologias para empoderar indivíduos a fazer as suas melhores escolhas”. 

“A vida não precisa ser tão complicada e caótica quanto parece. Nós acreditamos que fazendo a sua informação trabalhar para você, nós podemos aliviar a carga das incertezas. Com a nossa tecnologia, nós podemos tomar as decisões que você não sabia que queria tomar”.

Segundo relatos dos jornalistas presentes, a experiência toda foi bem perturbadora. Mas em certos aspectos, agradável. Era bom não ter que se esforçar para puxar assunto ou socializar. A comida e bebida servidas eram de fato do gosto de cada um. 

As suas informações pessoais estavam sendo jogadas de volta para eles, para mostrar que hoje, com o que já está disponível, é possível saber muito sobre uma pessoa. E a partir disso, influenciar suas escolhas e emoções. A noite, na verdade, teve bem pouco de futurista.

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O que nos traz de volta ao conceito de proposta de valor.

Uma das principais promessas dos produtos de tecnologia mais bem sucedidos do mundo é a conveniência.

Você não precisa mais ir atrás de um táxi: o carro vem até você. Você não precisa mais escolher as músicas uma por uma: tem uma playlist pronta pra você. Você não precisa mais ir até o mercado: alguém vai lá pegar tudo e entregar na sua casa.

E quanto mais conveniência a gente tem, de mais a gente precisa. É a lógica do Uber com tempo de espera maior que 5 minutos. Uma eternidade, não? 

Mas em troca de conveniência, nós damos acesso. Às nossas rotinas, contas bancárias, relacionamentos, trabalhos, e por aí vai. E acesso significa controle.

O que a HBO fez foi ilustrar o que acontece quando uma empresa tem controle sobre as nossas próprias decisões. E o pior: ela fez isso parecer uma experiência extremamente agradável.

Mas pior, pior mesmo, é que hoje, agora, é exatamente isso que acontece. A gente ama conveniência. A gente não pode vê-la sendo vendida por alguma empresa, que abraça, aceita, compra. Sem nem pensar no preço.

Nós estamos pouco a pouco entregando o controle das nossas decisões, em troca de uma rotina mais confortável. Até quando?
XXXXXXXX


- Beatriz
~ não é em qualquer lugar ~

que a gente faz a ponte entre propostas de valor, CES, HBO, conveniência e um futuro/presente apocalíptico.
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E o Oscar vai para
a Netflix. Ou iria, se tivesse a categoria de Serviço de Streaming que Mais teve Indicações ao Oscar. Conforme o tabuleiro vai se organizando e os estúdios buscam consolidar suas propostas de valor, a Netflix vira um pouco o jogo para quem (como eu) achava que ela se destacava por séries de nicho. Sofre a HBO, que costumava ser a dona do território de megaproduções. E segue o jogo.

Como as maiores marcas de tecnologia B2B se posicionam
Um estudo de caso rápido e bem interessante, do posicionamento de Intel, Cisco e IBM. Posicionar marcas B2B é sempre um desafio, e bons benchmarks nunca são demais. Aliás, esse site está cheio deles :)
para conferir todos os livros que já recomendamos, clique aqui
já que nem tudo é distopia, para esse início de ano vamos de leitura leve.

eu já tinha visto muitas recomendações a Valter Hugo Mãe, e escolhi começar por O Filho de Mil Homens.

é uma história que vai se desenrolando uma pessoa de cada vez, conforme você vai conhecendo a origem de cada um deles. pais, mães, filhos, esposas e suas histórias de vida e como uma foi influenciando a outra.

é um livro sem começo-meio-e-fim, mas com muita poesia pra compensar. :)

 
se você tem um projeto de conteúdo e quer vê-lo por aqui, é só mandar um e-mail :)
Quem me deu a inspiração para o tema de hoje foi a Beatriz Bulhões, em forma de "você viu isso que aconteceu na CES??".

A Bea é uma dessas pessoas que eu conheci via Bits, e que hoje é fonte de muita parceria e troca.

Ela tem um podcast chamado Cultural Cast, que explora tendências de cultura e comportamento. O sotaque do Recife é um plus :) 
na verdade, só mais um agradecimento. 

a Rock Content fez uma enquete no Instagram para eleger os melhores conteúdos de 2019, e esta que vos fala foi eleita a melhor newsletter de 2019. (!!!!!)

queria só deixar um muito (mas muito) obrigada a todos que acompanham esses e-mails toda semana, compartilham nas redes sociais, respondem agradecendo, convidam pessoas pra assinar..

esse projeto já mudou a minha vida, e é incrível saber que ainda tem muito mais por vir.

obrigada! 

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